Vitor Ramil e Marcos Suzano 2009


Vitor Ramil: voz e violões
Marcos Suzano: percurssão
Participação Especial: Kátia B. (voz)

Técnico Som: João Martins

Satolep e Sambatown são mais do que duas cidades imaginárias. São cidades abstratas, transfiguradas pela música de seus criadores, o compositor gaúcho Vitor Ramil e o percussionista carioca Marcos Suzano.

Satolep, mais do que Pelotas do avesso, é a cidade imaginária onde Ramil forjou sua “estética do frio”. O lugar em que uma milonga de poucos e complexos acordes levados no violão de cordas de aço (como que refletindo o frio cortante lá de fora) é tão brasileira quanto um samba dolente levado no violão de nylon numa rua do Rio. Satolep é a capital imaginária dessa “região de clima temperado desse imenso país mundialmente conhecido como tropical”. Um lugar torto que ganha forma e sentido nas canções de Vitor Ramil.
Sambatown, mais do que um Rio transfigurado pela provocação de ter seu ritmo mas característico (ou “autêntico”, como se diz) associado à palavra inglesa que significa “cidade”, é o lugar que Suzano inventou para abrigar sua percussão que parte do samba, do choro mas que não se contenta com os limites estéticos das duas matrizes rítmicas da música carioca; sua estética que parte da percussão tradicional, acústica, da mão no pandeiro, mas que incorpora também, e muito, a linguagem e os recursos eletrônicos; a sua linguagem brasileira pela origem, pela diversidade rítmica, pelo sotaque, mas totalmente contemporâneo.
Satolep se quer brasileira quando o senso comum pode a ver como estrangeira (“européia”, como o clima; “argentina” ou “uruguaia”, pela proximidade geográfica e estética); Sambatown se quer do mundo, quando é vista como brasileiríssima pelo ritmo quente.

(…) Diz Vitor Ramil : “gosto de fugir dos estereótipos. Por isso me dei esse desafio de buscar o ritmo numa música originalmente pouco percussiva. E para isso, ninguém melhor do que o Suzano. Não conheço ninguém mais carioca.”

Hugo Sukman