Jaques Morelenbaum 2010


Jaques Morelenbaum: violoncelo
Lula Galvão: guitarra
Rafael Barata: bateria
Convidado especial: Daniel Jobim, piano e voz

Técnico Som: João Martins
Técnico Luz: Hugo Coelho

“A herança musical brasileira, de Vinicius a Caetano, nas mãos de Morelenbaum”
“O Samba do Maestro Jaques” , Nuno Pacheco in Publico

Nessa altura, já sabia que a sua vida seria a música. Mas que música estaria na sua vida, isso já sabia?
Já nessa época o meu interesse maior era pela criação. O que mais me interessava era compor ou improvisar. Talvez pelo facto de a minha formação académica ter sido muito forte, tive de estabelecer um processo, uma reviravolta na minha cabeça, para começar a improvisar no violoncelo, que, tradicionalmente, não é muito usado para improvisar. Eu não tinha muito a quem olhar, em quem me espelhar.

Mas fala-se muito de Villa-Lobos quando se fala de si.
Villa-Lobos estabelecia um elo muito grande entre a música tradicional brasileira e a música erudita. Assim como outros compositores eruditos, Bartók, Stravinsky, sempre olharam muito para a música folclórica.

E despreconceituosamente.
Apaixonadamente. Pelo facto de o Villa-Lobos ter sido violoncelista, sempre me identifiquei muito com a figura dele. Vários caminhos que buscava – escrever, tocar violoncelo, manter clara a minha condição cultural de brasileiro, reconhecer a música do meu país e querer tranformá-la – tudo isso encontrava em Villa-Lobos. Mas, apesar dessa ligação com a música popular, no violoncelo não tenho notícias dele, exercendo como instrumentista.

Porque escolheu o violoncelo?
Foi uma paixão repentina. No momento em que escutei atentamente uma sonata de Brahms e, num capricho infantil, decidi estudar violoncelo. Tinha 12 anos.

(trecho da entrevista de Anabela Mota Ribeiro publicada no DN)