
VITOR RAMIL
4 Abril | Lisboa | Culturgest – Grande Auditório
Vitor Ramil: voz e violões
Técnico Som: João Martins
“É possível que o nome Vitor Ramil pouco diga, mesmo a quem é relativamente versado em música brasileira, mas uma coisa lhe podemos desde já garantir: se na próxima segunda-feira for à Culturgest, para assistir ao espectáculo “délibáb” e sair de lá decepcionado, somos homens (e mulheres) para lhe devolver o preço desta revista.”
João Miguel Tavares in Time Out (30 Março 2011)
“Para os iniciados, o concerto que em boa hora Vitor Ramil deu na Culturgest, na noite de 4 de Abril (a três dias de completar 49 anos), foi uma visitação soberba da sua obra gravada.”
“Miragens do Brasil Gaúcho no Revisitar de uma Obra Soberba”, Nuno Pacheco in Público (09 Abril 2011)
Compus minha primeira milonga, Semeadura, aos dezassete anos, inspirado em Mercedes Sosa, a grande intérprete argentina. Como num passe de realismo mágico, desses que seria excessivo na literatura, mas razoável na vida real, a própria Mercedes gravaria essa milonga anos depois, em seu disco Será posible el sur.
Em 1999 Mercedes Sosa pediu-me uma versão para o espanhol de minha canção Não é Céu, que considero minha primeira canção com acento de bossa-nova. Sempre gostei muito de Não é Céu, mas, no começo, não me foi fácil aceitá-la por causa de sua filiação nitidamente carioca ou tropical. Talvez esse dilema não possa ser entendido facilmente, mas, para um brasileiro do Rio Grande do Sul, extremo sul do Brasil, região de clima temperado, fronteira com Uruguay e Argentina, nem sempre é fácil reconhecer seu direito à tradição do Brasil tropical, que é como o mundo identifica nosso país.
Em minha trajetória tenho reagido aos estereótipos da brasilidade e do gauchismo (esse último, caracteriza os rio-grandenses). Parte desse esforço se traduz em minhas tentativas de criar uma linguagem síntese a partir, principalmente, das milongas e das canções. O interesse de Mercedes, cujo bom gosto para seleção de repertório era notório, por essas facetas distintas das minhas composições, avalizou para mim mesmo minha busca estética; disse-me que eu me movia com desenvoltura nas tradições “brasileira” e “gaúcha” a ponto de poder realizar algo pertinente a partir delas.
Em minha primeira apresentação solo em Lisboa, na Culturgest, partindo do conceito de délibáb (ilusão do sul), meu mais recente álbum,reunirei canções e milongas, sempre buscando suas conexões e seus desdobramentos como expressão do meu imaginário.
Vitor Ramil
