Vitor Ramil 2012


Vitor Ramil: voz e violões
Carlos Moscardini: violão

Técnico de Som: João Martins
Técnico de Luz: Pero Leston

“Costuma dizer se que nunca se deve regressar a um lugar onde se foi feliz, mas no caso de Vitor Ramil teria sido um crime obedecer a tal máxima.”
Vitor Ramil e a Magia da Música do Brasil do Sul, Nuno Pacheco in Público

A melos-longa, musica medieval portuguesa, está na origem da milonga, que desembarcou no Brasil, mais precisamente no estado do Rio Grande do Sul, para, só então, atravessar as indefinidas fronteiras rumo aos paises mais ao sul, Uruguai e Argentina.
O parágrafo acima resume a tese mais controvertida e menos aceita acerca da origem da milonga. É considerada fantasiosa diante das hipóteses de que esse gênero musical teria nascido na cidade de Montevidéu e migrado para o campo ou de que seria filho direto da habanera cubana, trazida ao extremo sul da América pelos espanhóis.
Realmente, se dermos uma busca nas milongas mais antigas, elas serão encontradas no Uruguai e na Argentina. Mas se nos perguntarmos onde a milonga é mais praticada no ambiente urbano dos dias de hoje, de forma a estar essencialmente vinculada às invenções da modernidade, será difícil não responder que é no Rio Grande do Sul.
O entendimento profundo e comovido com que meu álbum de milongas délibáb foi recebido recentemente em Portugal, provou para mim mesmo que a milonga, liberta dos ferros do folclorismo, dialoga desenvolta e naturalmente com a sensibilidade contemporânea de toda parte, não tratando-se apenas de um fenômeno local do extremo sul do Brasil. E a impressão que deixaram em mim a critica especializada o público de Lisboa deu-me vontade de ir em busca da melos-longa para tentar encontrar em terras portuguesas a raiz dessa brasilidade que torna a nossa milonga tão particular, tão irmã do choro ou do fado, ou que faz as minhas melodias e meu violão aspirarem as alturas da música de Carlos Paredes.
Desde a minha primeira apresentação na Culturgest, em Lisboa, tocando milongas e canções, espero ansiosamente a oportunidade de voltar trazendo o show délibáb na íntegra, com as milongas que compus para a poesia dos grandes Jorge Luis Borges (1899-1986) e João da Cunha Vargas (1900-1980) e com a companhia luxuosa do violonista e compositor argentino Carlos Moscardini.
Sobre a colaboração com Moscardini, escrevi no ensaio de apresentação de délibáb: Estamos de acordo que nossas músicas pertencem a uma mesma querência, que se projetam uma na outra, que se completam e se justificam. Nossos violões parecem achar o mesmo. Se o meu é uma planície, el cielo al revés, de Yupanqui; o dele, é um pensamento que vai longe. Se o meu tem o rigor minimalista do aço; o dele apresenta a doçura criolla do nylon.
Esperamos que o público português aprecie este espetáculo que, para a nossa alegria, continua a emocionar e divertir (sim, nos divertimos muito no palco) platéias de Uruguai, Argentina e Brasil.

Vitor Ramil