Vitor Ramil 2014


Vitor Ramil: voz e violões
Convidados:
Gisela João: voz
Mário Laginha: piano e fender rhodes
Carlos Moscardini: violão

Técnico Som: João Martins
Técnico Backline: Nuno Cruz
Técnico Luz: Pedro Leston

Se há concertos que dá pena não terem sido gravados, este é um deles. Não que Vitor Ramil tivesse, por si mesmo, superado as apresentações que já dele vimos em Lisboa (excelentes apresentações, diga-se, em 2009, 2011 e 2012), mas porque a conjugação do seu talento com o dos três convidados da noite proporcionou momentos únicos.
Com Carlos Moscardini, violonista argentino, repetiu a química de 2012, com a vantagem de se mostrar cada vez mais rica a cumplicidade gaúcha de ambos; com Gisela João fez duetos acertados e calorosos; com Mário Laginha deu asas à criatividade de ambos. Na base de tudo, um cancioneiro soberbo e inteligente, prova do talento maior do seu autor.
Quem ouve Vitor Ramil, conhecendo-o de antes ou só agora, verá nele uma espécie de Caetano Veloso gaúcho (Ramil nasceu no Rio Grande do Sul, em 1962), pela maneira como trabalha as palavras mas também por semelhanças de timbre. Mas Vitor Ramil é “sul”, horizonte, melancolia, tem o peso de um outro sentir latino-americano, sendo igualmente brasileiro. Daí a sua singularidade, não confundível com nenhuma outra.

Nuno Pacheco, “Vitor Ramil, um talento maior sob as estrelas” in Público 09.10.2014

Fotografia de José Frade